
Carioca, 56 anos, três filhos adultos que são a maior bênção que já recebi na vida, pisciana, sonhadora, com ascendente em Áries, portanto guerreira e chata, com lua em Câncer, o que me faz um pouco mãezona. Espírito jovem, o que vive me causando problemas, pois gosto de quase tudo que os jovens gostam. Acho lindo piercing, apesar de não tê-los, gosto de techno, gosto de tatuagem, e gosto de festas.
Por outro lado, também gosto muito de ler, de ficar em casa, cozinhar, ouvir música clássica, assistir concertos e balés. E, principalmente, curto muito a minha idade, meu saber e minhas marcas de passagem por essa vida.
Sou leitora eclética. Admiro desde os clássicos russos e franceses, passeio pelos poetas portugueses, filósofos gregos, alemães, franceses e brasileiros e, atualmente, tenho dedicado bastante atenção aos escritores e pensadores orientais.
Assim como na leitura, minhas músicas prediletas vão desde os "might five"russos, passando pelas óperas, pelo blues, rock,mpb e pelos sambas e folclores brasileiros.Ou seja, sou uma bagunça intelectual!

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Análise sempre sábia da jornalista Míriam Leitão
Questão de todos
A derrubada de um helicóptero da Polícia Militar não é apenas mais um episódio da guerra do tráfico de drogas no Rio. É um agravamento, uma mudança de escala. Não é como o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, pensa: “Um ato de desespero dos bandidos.” É uma demonstração de força. O Rio ser uma cidade olímpica dá mais destaque à notícia, mas o crime tem que ser combatido por nós.
Não é pela Olimpíada que o Rio tem que encontrar caminhos de solução do seu pior problema — a violência ligada ao tráfico de drogas —, mas porque essa é a única forma de salvar a cidade.
Outro dia, estive no Complexo do Alemão para fazer uma gravação. O PAC estava lá, com suas obras. Era fácil até ouvir o martelar da construção. Mas não havia Estado. Havia obras, mas não a presença do Estado. Vi na rua central da Grota jovens armados com fuzis, à luz do dia. Subi uma daquelas ruelas sinuosas até à laje onde faria a gravação. As ruelas não são mais de chão batido, escorregadias. Agora estão cimentadas. Melhor. Mas numa das encruzilhadas da subida, vi uma mesa de venda de cocaína, com inúmeras sacolinhas de pó. Em outra mesa, o dinheiro exposto. Na volta, vi que havia mais dinheiro e menos sacolinhas. Cruzei com trabalhadores voltando das obras do PAC. Melhor que elas sejam feitas e que eles tenham emprego, mas não basta edulcorar a realidade, é preciso transformá-la.
Não é um problema banal. Fosse, teria sido resolvido. Mas ontem, a ministra-candidata Dilma Rousseff disse que a violência no Rio mostra “o quanto faltou o Estado, no sentido amplo da palavra, nestas comunidades.” Exatamente. Mas pertencendo a um governo que está no seu sétimo ano, sendo aliada do atual governador e tendo o apoio dos dois últimos governadores à sua candidatura — Rosinha e Anthony Garotinho — talvez ela devesse ter mais a dizer do que culpar um ser incorpóreo. Devia perguntar aos seus três apoiadores o que deu errado até agora na política de segurança pública do Rio nos últimos 10 anos. O problema, claro, é mais antigo: mas uma década já faria diferença se o Estado estivesse estado presente, no seu sentido amplo, nestas comunidades.
Uma das dificuldades óbvias é a falta do governo federal. A cada crise, o governo oferece a Força Nacional. A Força é para emergências e nós temos aqui uma rotina de uma complexa violência cujo pior ingrediente é o tráfico de drogas. E o tráfico é responsabilidade do governo federal combater. É ele que tem que estar nas fronteiras secas e molhadas, é o aparato policial federal que tem que combater o tráfico. Aqui, as polícias Civil e Militar, além das funções de prevenção, policiamento e investigação, ainda acumulam o combate de uma verdadeira guerra contra o tráfico.
Em 2002, fui ao Morro dos Macacos com Rodrigo Baggio, do Centro de Democratização da Informática. Lá, ouvi dos moradores a seguinte explicação para a geografia do drama local: a favela está sob o controle de um grupo de traficantes, cercada por traficantes rivais por todos os lados. Por isso vive em guerra. Sete anos depois, tudo igual.
Na primeira entrevista coletiva que deu no segundo mandato — cinco meses depois de reassumir — o presidente Lula disse o seguinte, quando perguntado sobre o assunto segurança: “Vamos colocar as coisas no seu devido lugar. A questão da segurança pública, o governo federal não é um foco principal, é uma força auxiliar de um sistema que é majoritariamente controlado pelos estados. O governo federal só entra quando é pedido.” Resposta errada. Todas as instâncias de poder têm uma parte da responsabilidade, e o governo federal não é “auxiliar” no combate ao tráfico de drogas e armas, é o principal ator.
Está claro que está havendo um aumento do poderio das armas dos grupos de traficantes no Rio de Janeiro. Como o Rio tem cerca de mil favelas, pelo menos trezentas delas ocupadas pelo tráfico de drogas através de três facções inimigas — e isso sem falar na milícia —, está havendo uma corrida armamentista na cidade. Só de 2007 para cá, as polícias do Rio capturaram 35 metralhadoras antiaéreas, fora as incontáveis granadas e fuzis. Armas de guerra. Se está ocorrendo isso, as forças federais têm responsabilidade porque são elas quem têm que combater o tráfico de armas. Não é um favor ao Rio ou ato de solidariedade.
Há casos bem sucedidos nesse mar de fracasso que é a política de segurança pública do Brasil. Liguei ontem para o sociólogo Gláucio Soares para ver se ele me contava alguns desses bons casos, para amenizar essa coluna. Gláucio começou com uma frase forte. “Passei as duas últimas semanas na prisão.” Deu uma pausa e completou: “pesquisando.” Foi na prisão de Caruaru, dirigida por uma mulher, Sirlene, onde ele encontrou um recorde: não há rebelião, ninguém quer ser removido, e há casos muito bem sucedidos de integração. Uma das razões é a mobilização de empresas feita pela direção do presídio para o ensino de vários ofícios dentro da prisão, o trabalho remunerado, e a esperança de contratação na saída.
Há alguns casos de queda de criminalidade, de homicídios, mas há um sub-registro também. Segundo a Secretaria Nacional de Segurança Pública, menos de 20% dos crimes ocorridos chegam à Polícia para registro. Isso dificulta a análise das estatísticas e penaliza os estados onde a população confia na Polícia.
O total de gastos realizados pelos governos estaduais em segurança pública subiu de R$ 24 bilhões para R$ 33,5 bilhões, de 2005 para 2008, mas os gastos federais são apenas 0,6% do Orçamento, segundo o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Pouco. Quase nada.
Rio 2016
Hoje, o Rio que continua lindo, acordou com sol, feliz, e com uma grande responsabilidade. Afinal, ao conseguir ser a cidade sede das Olimpíadas de 2016, chamou para si uma série de responsabilidades. O Jornal O Globo, traz em sua capa títulos como:
“ Agora só faltam 7 anos para:
Fazer uma estação de metrô por ano
Duplicar as vagas da rede hoteleira
Despoluir a Baía e as Lagoas da Barra
Construir e reformar 33 instalações esportivas”.
Desde que me entendo por gente, escuto essas promessas. O Japão, nos anos 90 deu uma fortuna para o Prefeito Marcelo Alencar despoluir a Baía de Guanabara. O governo Brizola furou o metrô para ir até Copacabana e o governo Moreira Franco tampou o buraco. Só agora, em dezembro de 2009, será inaugurado o resto do trecho tapado.
As instalações esportivas construídas para o Pan (cujo orçamento inicial era de R$ 309,1 milhões em 2001 e o montante efetivamente gasto R$ 3,5 bilhões) já estão destruídas. Não recebemos nada de “legado do Pan”. O Parque aquático Maria Lenk já está fechado. As pistas para as competições de atletismo já foram tomadas pela grama. A Vila Olímpica está afundando. O estádio Engenhão, está alugado por módicos preços ao Botafogo numa política no mínimo suspeita. As contas ainda não fecharam e faltam notas fiscais, num claro sinal de superfaturamento e despesas inventadas. O que legamos realmente, foi o corpo de um atleta do “parapan” que não pôde ser atendido à tempo por que o seguro saúde só foi contratado para os atletas sem deficiências.
Para nós, cariocas, é uma honra ser a primeira cidade da América do Sul a sediar uma Olimpíada, mas é preciso que todos estejamos engajados para que não passemos 30 anos pagando uma dívida como Montreal, no Canadá, e, também, desperdiçar, mais uma vez, a possibilidade de que ela deixe um legado verdadeiramente transformador para as nossas vidas.
Fim de Era....
Na Flip em Parati, assisti à mesa do historiador britânico Simon Schama que, junto com a antropóloga Lilia Moritz Schwarcz, falou sobre a história dos Estados Unidos, tema de seu último livro “O futuro da América”.
Com um exercício de diálogo entre presente e passado, Schama diz que a subjetividade pode ser preponderante mesmo quando se olha para fatos de mil anos atrás. Para ele, a História não está só no passado nem nos grandes eventos, mas em grande parte no cotidiano das pessoas comuns.Perguntado como nomearia essa nova era ele respondeu que a chamaria de “o início do fim de era”.
Hoje, ao ler sobre o livro autobiográfico “High on Arrival”, de Mackenzie Phillips, filha do músico John Phillips do Mamas and the Papas, não tenho mais dúvidas que o Schama está certo.
No livro ela conta que foi o pai quem a apresentou às drogas, sendo inclusive, a primeira pessoa a injetar cocaína em suas veias. Além das drogas, diz ter sido abusada sexualmente em diversas ocasiões quando estava sob o efeito das drogas. “Uma noite, ao recobrar os sentidos, me vi fazendo sexo com meu próprio pai”. Em determinado período o incesto era consensual diz ela, lembrando que fizeram sexo na véspera de seu casamento aos 19 anos.
John chegou a propor que eles fugissem para um país onde o incesto fosse tolerado. “Meu pai era cheio de amor e estava doente pelas drogas”, diz ela.
Se isso é o início eu não sei... para mim é o fim!
Abaixo, texto que li no Blog do Noblat e que acho interessante compatilhar
DEU EM O ESTADO DE S. PAULO
Tática Inescrupulosa
Os ataques à oposição que deram um tom eleitoreiro ao anúncio das propostas do governo para o pré-sal devem tornar-se tema permanente das manifestações do presidente Lula. Apenas um dia depois do evento, ele deixou claro que pretende, além disso, martelar a versão de que os críticos da nova política de petróleo são inimigos do progresso nacional - agem contra "o povo brasileiro".
O golpe é típico dos autoritários de todos os matizes e representa a forma mais vil de desqualificação do dissenso em relação às decisões dos detentores do poder. É uma incitação ao linchamento político dos que destoam da linha oficial. Destina-se, no caso, a impedir qualquer debate substantivo sobre as regras para o pré-sal e a semear no eleitorado uma atitude de hostilidade, quando não de repulsa, aos adversários do esquema de perpetuação do lulismo no Planalto.
Com essa tática inescrupulosa, o presidente quer fazer das eleições de 2010 uma disputa não entre concepções distintas do que seja o interesse público e as alternativas para atendê-lo, mas entre patriotas e antipatriotas - ou, como se dizia em outros tempos, nacionalistas e entreguistas. "Lula inventa espantalhos e os espanca", diz o senador Sérgio Guerra, do PSDB.
O primeiro pretexto para isso é a recusa oposicionista de aceitar mansamente o verdadeiro rito sumário com que Lula quer ver aprovados os quatro projetos do marco regulatório do pré-sal. A tramitação da matéria no chamado regime de urgência constitucional deixa ao Congresso não mais de 90 dias (45 em cada uma de suas Casas) para votar o pacote, sob pena de bloqueio das respectivas pautas de deliberações. O procedimento também estreita a margem para apresentação de emendas às propostas.
A conduta do presidente a respeito é simplesmente cínica. Na véspera da divulgação dos projetos, pareceu aceder ao pedido do governador paulista José Serra para que desistisse da urgência. O argumento incontestável é que o governo teve o tempo que quis - a rigor, quase dois anos, a contar da descoberta das jazidas - para tomar as suas decisões, em debates a portas fechadas, e um assunto dessa envergadura não pode ser liquidado, em seguida, a toque de caixa.
No dia seguinte, Lula manteve a urgência, mas fez de conta que a responsabilidade não era dele: atribuiu a insistência aos líderes dos partidos da base governista e ministros que integram o seu conselho político. Depois, a uma pergunta sobre o assunto, reincidiu no cinismo, beirando o escárnio, ao indagar, retoricamente: "Quem sou eu, um humilde presidente, para ter qualquer interferência (na tramitação das proposições)?"
A farsa durou um átimo. O mesmo humilde presidente que disse que "agora a bola é do Congresso, a vez é deles", logo aproveitou para jogar a sociedade contra a oposição. Com a esperta ressalva de que ele próprio tinha sido oposicionista por muito tempo - portanto, falava com conhecimento de causa -, teorizou: "Quem é oposição está sempre achando que as coisas não devem dar certo, que as coisas devem demorar, porque acham que, se não acontecer, quem perde é o governo."
E deu a canelada: "Eu acho que, se não acontecer, quem perde é o povo brasileiro." Na realidade, o conteúdo dos projetos - que representam uma guinada radical rumo ao estatismo e conferem superpoderes à Petrobrás -, a pressa de tê-los aprovados e o calendário eleitoral são indissociáveis. O "bilhete premiado" do pré-sal não começará a ser resgatado antes de meados da próxima década, mas a sucessão de que Lula se ocupa obsessivamente é no ano que vem.
Por enquanto, entre os aliados do Planalto, a única voz discordante do modo como o governo encaminhou o pacote regulatório foi a do senador Francisco Dornelles, presidente do PP. "Não colocar tempo para a discussão não significa que os projetos não serão votados em um prazo curto", raciocina. "O que não pode é determinar o tempo para o debate."
Em protesto contra a urgência, a oposição resolveu obstruir as votações na Câmara, mas é duvidoso que isso funcione. Mais importante será a sua reação à tentativa de Lula de reviver o segundo turno de 2006, quando lançou contra o candidato tucano Geraldo Alckmin a pecha de que pretendia privatizar não só a Petrobrás, como o Banco do Brasil. Resta saber se desta vez terão a firmeza de desmascarar a tática lulista de execrá-los como sabotadores do futuro do País.
Chamado
Ao assistir hoje ao início da reunião sobre o marco regulatório do pré-sal, e ver, no palco, a Dilma, Sarney, Lula e D. Marisa e, na platéia, os ministros de estado, senadores, deputados, sindicalistas e outras tantas corjas que frequentam o Planalto, meu primeiro pensamento foi como seria bom se aquele lugar explodisse, ou se um tufão passasse e levasse embora aquela cambada toda.
Não sou uma pessoa má, nem tenho tendências terroristas, muito pelo contrário, mas naquele momento foi o que desejei. Que todos desaparecessem como os tripulantes daquele vôo da Air France.
Ando enojada com tudo que diz respeito à política. Estou cansada de ver o deboche, o escárnio com
que tratam o nosso povo!
Enquanto nossas escolas não ensinam, nossos hospitais não funcionam, nossos campos não têm mais flores, essa cambada de ignorantes, sindicalistas, jornaleiros, medíocres que precisam mentir em seus curriculum, estão lá, posudos com seus carros oficiais, seus ternos Armanis e gravatas listradas de verde amarelo, como se importassem com o povo brasileiro.
Estou farta!
Hoje, enquanto o Coronel Sarney, homem incomum, posa ao lado do presidente, o New York Times
põe sua foto com a notícia que, mais uma vez, sua família conseguiu censurar o Estadão.
Hoje, enquanto essa turma que se chama de V. Excia. está lá comemorando, blogs do Amapá, foram censurados!
Hoje, também, o Min. Eros Grau arquivou de vez o pedido de reexame das denúncias contra Sarney.
Tudo isso acontece, às vezes, vários abusos em um só dia e ninguém faz nada! Só reclamam sentados nas suas poltronas, nas suas mesas de trabalho, em frente aos seus computadores e mais nada!!!
É preciso lembrar que no ano que vem teremos a chance de renovar dois terços do Senado Federal, renovar o Congresso Nacional e renovar o Governo Federal ou seja, formar uma maioria dentro de um governo nojento, corrupto, pelego, populista e coronelista. Acordem!!!
Felizmente, tem uma meia dúzia de inconformados que ainda se manifesta, que vai para as ruas, bate panelas e pede por um pouco de ética e justiça. Mas ainda somos poucos...
Meu texto hoje é para pedir para os que me leem que se mexam, que se juntem à esses poucos que estão tentando fazer com que essa oportunidade não seja mais uma vez desperdiçada.
O movimento #forasarney é um movimento apartidário, pela ética e pela reforma do Senado. Saiam de suas poltronas e juntem-se à nós. Verão como é bonito, como é bom voltar para casa com o sentimento do dever cumprido, o sentimento de ter feito a sua parte!
Nesse link, vocês poderão ver como é pacífica e nacional essa manifestação.
Uma análise interessante
Recebi esse texto por mail e me deu vontade de dividir com os que passam por aqui.
Gerald Thomas explica Lula.
DESVENDADO O SEGREDO DO SUCESSO DO PRESIDENTE LULA
Existe alguma outra frase que possa expressar com tamanha clareza a natureza do nosso sistema político? Desse covil que ainda tem o poder de nos surpreender, de nos indignar? José Sarney, presidente do Senado, tenta nos fazer esquecer seus antigos pecados utilizando-se, para isso, e a cada dia, pecados novos. Quando estamos nos esquecendo das proezas de algum de seus filhos, aparece sua neta para nos lembrar que ainda estamos muito distantes da idéia de sermos um país sério.
O país acostumou-se a viver num eterno escândalo. Políticos são vistos pela sociedade como seres desprezíveis, desnecessários mesmo. Todos eles. De qualquer partido. Menos um! Sim, um deles resiste bravamente. Justamente o principal político do Brasil: seu presidente Luis Inácio Lula da Silva.Lula será analisado pela História como o político que mais traiu seus eleitores, mais frustrou as esperanças de seu povo. No entanto, no presente, sai imune a todos estes escândalos e alcança altos índices de aprovação. Qual seu segredo?
Da mesma maneira com que Basil Hallward pintou o retrato de Dorian Gray, no romance de Oscar Wilde, Lula foi pintado pela Imprensa, na realidade brasileira. Lula e seu PT surgiram como o novo, os donos absolutos da verdade, da ética, da pureza. Ele estava acima de qualquer análise, de qualquer crítica. Não era como um de nós, que trazemos em nosso interior tanto o Céu como o Inferno. Lula era o oprimido que assumiria o poder e transformaria a política nacional. Como faria isso? Não importava. Ele representava a beleza do sonho em que o operário chega ao poder. E, como sabemos, a beleza não necessita de explicações.
Como Dorian Gray percebeu que seus excessos e seus vícios não afetavam sua aparência - pois se mantinha sempre belo, enquanto era seu retrato que adquiria as imperfeições resultantes de noites sem dormir, de bebedeiras, de toda sorte de perversões – seguiu sua vida certo de que assim seria eternamente. O mesmo ocorre com Lula: como todos os escândalos de corrupção, de “mensalão”, de caixa-dois que marcaram seu governo não afetavam sua popularidade, Lula sentiu-se livre para todo tipo de “acordo” com todo e qualquer tipo de gente. Hoje vemos nosso operário-presidente abraçado hora com Ahmadinejad, hora com Collor, hora com Sarney, com Renan Calheiros…
Não há limites para Lula, como não houve para Dorian Gray. O retrato para Dorian, assim como a Imprensa para Lula, impede que a cada pecado cometido haja em seguida o respectivo castigo. E no castigo há a purificação. Como não há castigo, Lula segue em sua trajetória de autodestruição.Mas, então, qual a verdadeira face de Lula? Quem representa a imagem do retrato que envelhece e se deteriora?
Enquanto oposição, os feios e estúpidos do PT eram imbatíveis. Não queriam nem saber. Na dúvida, detonavam qualquer figura política que não lhes fosse simpática. E hoje, no governo, o que faz o PT?É o Partido dos Trabalhadores quem sofre os desgastes das depravações ideológicas de Lula. Na verdade, Lula já destruiu o PT. Olhem nas fisionomias do Mercadante, do Suplicy, daqueles que abandonaram o partido fundando o PSOL ou seguindo para o PSTU. São seres apáticos, envergonhados, constrangidos. Olhem a UNE, transformada em chapa-branca. Olhem os sindicatos, hoje bajuladores e dependentes do governo. Lula não acabou apenas com o PT, acabou com toda a esquerda, de maneira geral.
Pois é! Assim como um artista, a Imprensa tem o poder de fabricar seus ídolos. Criaram um Lula acima do Bem e do Mal. Lula tem hoje o poder de salvar ou destruir a reputação de quem quer que seja. No passado destruiu a reputação de muitos... No presente salva políticos que mereceriam estar nas páginas policiais, não nas de Política. Mas será que salva mesmo? Será que Sarney, por exemplo, está sendo salvo? Ou Sarney terá o mesmo destino do PT?
O Partido dos Trabalhadores é o verdadeiro retrato do Lula. O PT ficou a cara do Sarney! E o Brasil ficou a cara do Maranhão!E a imprensa?
Basil Hallward, apesar de considerar o retrato de Dorian Gray sua mais bela obra, nunca o expôs. Dizia que o retrato tinha muito de si mesmo. Lula, esse semideus criado pela Imprensa, também tem muito dela. Cuidado, B(r)asil! Dorian vai lhe enfiar uma faca na cabeça!
Pequim em Coma
Nesta FLIP que acabou de encerrar, assisti à mesa China no Divã com dois escritores chineses. A escritora Xinran, que ficou conhecida por seu livro As Boas Mulheres da China, escrito a partir de entrevistas com mulheres chinesas vítimas de violência e Ma Jian, autor de Pequim em Coma, onde conta sobre o massacre na Praça da Paz Celestial.
De Xinran destaco seu livro Enterro Celestial, sobre a invasão do Tibete, pois já havia lido Cisnes Selvagens, da escritora Jung Chang, onde ela conta a saga de três gerações de mulheres chinesas. Sua avó, que teve os pés enfaixados e foi oferecida como concubina por seu pai a um poderoso caudilho, sua mãe, que junto com seu pai pertenceram à alta administração do Estado de Mao e sua própria história. Nascida em 1952, militou na Guarda Vermelha, trabalhou no campo, como metalúrgica e como eletricista numa fábrica durante a Revolução Cultural. Achei esse livro mais emocionante, pois ele parte de experiências pessoais.
Já tive oportunidade de ler, Adeus China - O Último Bailarino de Mao de Li Cuxin. Autobiografia, narra desde a sua sofrida infância como camponês, até a sua brilhante carreira como bailarino, os percalços ocorridos e os méritos que conquistou com muita disciplina e força de vontade. E, também, Montanha da Alma de Gao Xingjian, escritor que conquistou o Prêmio Nobel de Literatura em 2000. Em comum, todos eles tem seus livros proibidos na China e todos tiveram que emigrar para outros países.
Na mesa da FLIP, o que me impressionou foi a dignidade sofrida de Ma Jian e, a declaração dele, que após a morte de seu irmão, baleado na cabeça durante a manifestação, trancou-se numa casa de aldeia durante seis meses para que não perdesse a memória do que viu e não se deixasse permear pela propaganda do governo que tentava minimizar o fato de terem matado cerca de três mil manifestantes civis.
Durante a Revolução Cultural, estima-se que mataram um milhão de chineses. Agora, após os protestos dos muçulmanos em Urumqi, onde as ações pesadas das forças de segurança chinesas deixaram 184 mortos e 1600 feridos, o governo Chinês minimiza o conflito e pede à comunidade muçulmana mundial para que compreenda as medidas tomadas na cidade de Urumqi e que "não entenda os distúrbios como um conflito de religiões”. http://bit.ly/Nb2K7
O que não entendo é a tolerância e deslumbramento do mundo com a “potência mundial” que a China se transformou às custas do trabalho escravo e o sangue de seu povo!
Na Flip
Depois de muitos anos querendo voltar, consegui, este ano, vir à Flip! É sempre uma emoção passear pelas calçadas gastas de Paraty junto aos muitos grandes pensadores do Brasil e do Mundo!!! Me sinto adolescente, meu coração dispara ao ver um Atiq Rahimi, de quem já falei logo que comecei esse blog, Bernardo Carvalho, Gay Telese e outros tantos. A gente os escuta, esbarra com eles, almoça ao lado, janta em frente. É incrível! Eles descem de seus pedestais e viram simples mortais como nós, comprando camisetas e badulaques em Paraty!
Quando voltar, vou tentar escrever sobre todas as maravilhas que ouvi e o quanto aprendi!
Que Dia!!!
Hoje, o mundo perdeu dois grandes. Farrah Fawcett e Michael Jackson!!!
Como eles nos encantaram....
Rest in Peace!
O Pianista
Ontem, quando o dia amanhecia, morria, de um infarto fulminante, o “meu pianista”.
Venho de uma família mineira e meus avós maternos moravam numa cidade pequena, ao sul, chamada Itanhandu. Era lá que passávamos as férias grandes, onde todos os primos se encontravam. Os que moravam no Rio, os que moravam em São Paulo e os de lá mesmo. O “meu pianista” era um primo muito querido, que nasceu cego, vítima de uma rubéola contraída por minha tia quando grávida. Maurício, que desde pequeno estudava piano, morava em São Paulo, no Instituto de Cegos, e, como todos nós, passava as férias na casa de seus pais que moravam na cidade.
Era uma farra e tanto!! Do Rio íamos 18 netos, de São Paulo, 7 e em Itanhandu tinham mais 6. Já imaginaram o que era essa garotada toda solta pela cidade, nadando em rios, subindo em árvores e correndo da chuva? Foram belos tempos....
Nas nossas bricadeiras nem sempre podíamos incluir o Maurício, mas ele já sabia, não se importava. Sempre aceitou sua condição de deficiente e, quando ficávamos aborrecidos por ter de excluí-lo, ele nos mostrava habilidades que só ele tinha, como por exemplo, saber quem colocava sua mão na dele, saber que nota de dinheiro entregáva-mos para ele, e outras tantas percepções que nos suplantavam.
Nos tempos de festas da Igreja, onde a cidade toda participava com barraquinhas, leilões de almoços de domingos e oferecimento de músicas para as paqueras, nós produzíamos shows e vendíamos ingressos. Nosso show era sempre feito no salão da Igreja onde havia um piano. Bolávamos números de dança e esquetes sempre com o Maurício tocando para nós.
Me lembro de um especialmente engraçado, (mais ou menos na época em que fazia sucesso a novela da Glória Magadan, O Sheik de Agadir) onde minha irmã mais velha entrava em cena carregada em uma almofada por dois primos ao som da Dança do Fogo de Manuel de Faya.
As lembranças vieram aos borbolhões quando me avisaram de sua morte. Ele era o meu herói!
Aquele que sem enxergar sabia mais que todos nós. Aquele que, ao seu modo, fez da vida tudo o que quis. Viveu do piano.Seu compositor predileto era Chopin e chegou a responder sobre sua vida no Programa J.Silvestre na televisão. Foi até a última etapa, perdendo no último programa.
Meu primo, “meu pianista”, foi um exemplo de superação, mostrando a quem o conhecesse que era possível ter uma vida normal e exercer com competência uma profissão muito disputada. Nunca deixou de se apresentar pelo país e algumas vezes fora dele, sempre viajou sòzinho, e sempre, dentro da escuridão que lhe cercava, encontrava uma palavra doce para nos confortar.
Faço aqui, hoje, meu tributo a esse primo que me ensinou que nem sempre é preciso ter olhos para ver, viver e ser feliz.
Que susto!!
(Ou a gente só vai mesmo quando chega a nossa hora)
Mês de dezembro caminhando, ano bom, sem grandes problemas, feliz esperando o Natal quando toda a família se encontra. Vou ver meus filhos que moram fora, irmão, sobrinhos, que também moram fora.
No dia 18 minha mãe liga cedo, apavorada, contando que meu irmão caçula (47 anos) ligou avisando que não viria mais, pois havia ido a um médico que o proibiu de pegar um avião e marcou um cateterismo para o dia seguinte. Acalmei-a, disse que falaria com ele para saber melhor o que estava acontecendo e liguei para ele.
“Tudo começou quando estávamos na Europa em fins de agosto. Ele foi para fazer um pós doutorado em Paris e dar umas voltas antes de começar, e eu fui para passear com a Stella. Combinamos de nos encontrar em Amsterdam, não conseguimos, foi um desencontro total e no dia que ele foi para Estocolmo deixou um recado no meu celular meio triste, dizendo que talvez o destino não quisesse que nos encontrássemos. Quando eu estava em Paris e ele em Roma recebi um mail dele, contando que tinha sentido uma dor fortíssima no peito e no braço esquerdo, chamou um médico no hotel que diagnosticou ou uma angina ou infarto. Deu-lhe um vidro de isordil e recomendou-lhe que fosse para um hospital. Meu bravo irmão, deitou-se e ficou dois dias no hotel sem se mexer e quando melhorou, foi para Veneza. Lá chegando, por estar com muita dor, criou coragem e foi para um hospital. O médico que o atendeu fez um eletro, disse que ele não tinha nada no coração, jogou fora o vidro de isordil e receitou-lhe um antiinflamatório por achar que a dor que ele sentia seria uma nevralgia por estar carregando mochila. Isso era tudo que meu irmão queria ouvir. Comprou uma mala, continuou a viagem, foi a Madri, Barcelona e enfim, sempre com dor, chegou em Paris.
Nos falamos por telefone, achei-o triste, mas já estava acomodado no apartamento que havia alugado. Eu fiquei tranqüila, pois ele logo começaria o pós doc., estava bem instalado, a gente poderia falar mais vezes com ele, etc... A dor, sempre ali, mas menor.
Às vezes ele contava que ficava muito em casa, que estava frio, e andava desanimado. Estranhei, mas achei que ele poderia estar com algum tipo de depressão, pois o ano dele não estava sendo fácil. Havia se separado de um casamento de 15 anos, estava morando meio provisório uma vez que estava indo para Paris, etc...
Em novembro ele voltou, ficou mais animado buscando casa para morar, viajou para fazer umas bancas de doutorado aqui pelo Brasil e, em dezembro, ao fazer sua mudança e carregar para o segundo andar da casa uma TV de 29 polegadas, sentiu novamente a dor avassaladora. Dia seguinte, foi ao médico e ao fazer um dopler químico, ficou sabendo que precisava de um cateterismo.
Convenci-o que deveria vir para cá no dia seguinte, que ele já tinha viajado tanto sem saber de nada e que não seria nessa viagem que morreria. Marquei um cardiologista, fui buscá-lo no aeroporto e de lá fomos direto para o médico. Aí começou nosso filme de terror. Do consultório direto para uma UTI cardíaca, um cateterismo, um infarto não tratado, parte baixa do coração necrosada, etc., etc, e quatro pontes no coração.
No meio de tudo, mandato de segurança, fórum em recesso e Natal chegando.
Eu, meio em pânico, me consolava pensando que ele não havia passado tanto tempo sem se tratar e continuava vivo, não haveria de ser agora, com toda a assistência possível que as coisas iriam dar errado. Fiz disso uma certeza e enfrentamos tudo com muita fé, muita esperança.
Passamos o Natal nos revezando na UTI que naquele dia abriu para visitas de 21 as 23 hs., e agradecendo muito esse renascimento do meu irmão.”
Com esse post quero me desculpar com todos os amigos que me enviaram votos de Feliz Natal que eu não consegui retribuir. Agora, com ele se recuperando aqui no Rio é que estou começando a ter tempo para escrever e agradecer a todos pelo carinho.
Um ano cheio de alegrias e renascimentos é o que desejo a todos!
“Dura Realidade”
Como já contei aqui, trabalho em um shopping no posto seis em Copacabana. Ainda tenho o mau hábito de fumar, então, tenho que descer ir para a porta do shopping para fazer minha fumacinha. Estava eu lá, quando chegou um Sr. chamado “Mangiare” que faz ponto por ali. Ele tem uma carrocinha cheia de balas, amendoins, bananadas e outras besteiras mais. Seus grandes clientes são o vendedores das inúmeras joalherias que ficam na rua tentando abordar os gringos que passam por lá.
Daí a pouco, passa um menino de uns 16/17 anos empurrando uma carrocinha do novo sorvete da Garoto. Ele passa, para, e chega até a carrocinha do “Mangiare”. Ele tentou comprar mariola, mentex, mas como só tinha R$ 0,30 o que deu foram 6 balinhas que pensei talvez fossem seu almoço. Colocou suas balinhas no bolso e foi-se embora com seus sorvetes. Logo depois, aparecem dois PMs, fardados, com coletes à prova de balas (agora eles andam assim aqui no Rio) e um deles, com alguma intimidade cumprimentou o “Mangiare” e o apresentou ao colega como sendo o vendedor da melhor bananada da praia de Copacabana. Sem nenhuma cerimônia, meteu sua mão na carrocinha, tirou duas bananadas para ele, duas para o amigo e foi-se embora comendo as guloseimas roubadas.
Fiquei com tanta raiva, mas tanta, que apaguei meu cigarro, engoli em seco e voltei para meu escritório. Pensei em armar um “barraco”, mas pensei que ainda poderia prejudicar o bom “Mangiare” que, como tantos outros são diariamente roubados por quem tem o dever de defender a lei.
Triste cidade essa nossa, tendo que conviver com essa corja que se sente acima do bem e do mal!
Contando estórias....
Quando estiver meio sem assunto, resolvi contar algumas estórias que já se passaram comigo. Vou começar com essa, que é a mais recente.
Um amigo distraído...
Logo que comecei com o blog, na primeira Flip que aconteceu, convidei os que me visitavam para irmos a Parati e nos conhecermos. Alguns atenderam a esse convite e acabamos fazendo uma farra e tanto, que rendeu inúmeros posts.
Junto comigo foram uma amiga e um amigo que não pertencem à blogsfera mas se divertiram tanto quanto nós. Ao chegarmos lá, decidi que o Miguel de Souza Tavares seria meu futuro marido. Afinal, eleger Paul Auster, seria muito descaramento uma vez que ele estava acompanhado de sua linda mulher. O Miguel, apesar de estar sozinho, ostentava uma aliança que mais parecia aquelas bóias de pneus que descíamos o rio. Mas isso não importava, uma vez que eu só decidi que ele seria meu marido, não disse quando, e também, até hoje, ele não sabe disso. Só os amigos que lá estavam.
Quando fui receber seu autógrafo no excelente livro Equador, me senti uma celebridade! Eram todos os amigos com suas máquinas à postos para registrar tão importante momento. Rimos muito e até hoje, meus amigos quando se referem a ele, sempre indicam-no como “o meu marido”.
Há duas semanas atrás, estava voltando do trabalho quando meu celular tocou e era um desses amigos que estavam na Flip.
- Hei, tudo bem?
- Tudo. Estou em Lisboa, numa livraria e adivinha o que eu vi? Um poster enorme do “seu marido” e o novo livro dele.
Comentei que havia lido algo que ele estava escrevendo sobre o Brasil, inclusive que andou por aqui na Amazônia fazendo pesquisa.
- É verdade! O livro se chama “Rio das Flores” e a capa, imagine, é o calçadão de Copacabana!!
- Uau! Que máximo, respondo eu.
Conversamos um pouco mais, ele me disse que voltaria para o Rio no final de semana, e nos despedimos.
Bom, pela ligação que recebi imaginei que ganharia o novo livro do Miguel, ou no mínimo se não ganhasse, pelo menos teria a oportunidade de lê-lo antes do lançamento por aqui. Acabei resolvendo que iria ganhar o livro, pois esse meu amigo sempre me presenteia quando volta de suas viagens. Já ganhei um livro sobre Edimburgo quando ele foi à Escócia, um perfume quando esteve em Paris e, agora, por que não o novo livro do “meu marido”? Ele até me ligou!
Para encurtar a estória, ele chegou, nos encontramos, nos encontramos de novo, e nada dele falar no livro. No terceiro ou quarto encontro é que ele comentou ter ido com a namorada em duas livrarias e não encontrava o livro por aqui. Só então eu disse que não havia acreditado no fato dele estar na livraria, lembrar de mim, telefonar para contar e não ter comprado o livro. Era muita “cabeça de vento” para mim. Em sua defesa ele alegou achar que já teríamos aqui e me proibiu de comprá-lo, pois para ele virou uma “questão de honra” me presentear com esse livro. Pode?
Hoje de manhã li na coluna do Ancelmo Gois que o “Rio das Flores” será lançado por aqui em março pela Companhia das Letras. Acho que vou ligar para ele avisando.
Que dia!
“Tudo, aliás, é a ponta de um mistério
Há razões e rasões
Viver é impossível”...
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(João Guimarães Rosa – Primeiras Estórias)
Apesar do amanhecer ensolarado, ontem o dia foi triste e tenso.
Sabíamos que à tarde um companheiro nosso de trabalho seria operado para a retirada de um tumor maligno em seu intestino. Seria uma operação de risco já que ele se encontra com uma enorme anemia e também uma idade avançada.
Um pouco antes da hora da cirurgia, estou parada num ponto de ônibus a caminho do Leblon e, triste, penso no inferno que espera meu amigo. Começa uma chuva fina, me irrito com ela pois o dia amanheceu com sol e ali estava eu de sandália, blusa fina, sem mangas e sem guarda chuva. Ainda resmungava comigo mesmo quando escuto um barulho grande e seco. Olho em sua direção e, sem acreditar no que via, o corpo de um homem jazia a menos de um metro atrás de mim.
Era o porteiro do prédio em frente de onde eu estava, que havia despencado do telhado ao subir para limpar a calha por causa da chuva que começara. Fiquei catatônica, sem reação a não ser tremer.
Naquele momento me dei conta que minha vida ficara a menos de um metro de distância.
Um dia branco
Dai-me um dia branco, um mar de beladona
Um movimento
Inteiro, unido, adormecido
Como um só momento.
Eu quero caminhar como quem dorme
Entre países sem nome que flutuam.
Imagens tão mudas
Que ao olhá-las me pareça
Que fechei os olhos.
Um dia em que se possa não saber.
(Sophia de Mello Breyner Andersen)
Surpresas no feriado...
Esses dias todos emendados, aproveitei para ficar em casa e descansar. Fiquei cinco dias em casa, acordando tarde e sem nenhum compromisso. Na verdade só quatro pois na quinta-feira foi aniversário do Luis e ele inventou um almoço para a família e os futuros sogros.
Quando soube que ele havia convidado os pais da Manuela, sua namorada, percebi logo que já tinha visto esse filme em agosto, quando o Vitor também inventou um almoço com os pais da namorada e acabou se casando um mês depois. Não deu outra! Além de comemorarem o aniversário, oficializaram a decisão, não de se casarem, mas de se juntarem em Janeiro (daqui há dois meses).
Na época do casamento do Vitor, a mãe da Manu comentou comigo que achava que todo mundo deveria experimentar morar junto primeiro, para depois pensar em casamento. Não concordo com essa teoria, até porque, para mim morar junto ou casar é a mesma coisa. Só acho que quando a gente se casa, o comprometimento é maior, não se pensa em separação na primeira desavença, mas não é do meu feitio me meter. Meus filhos já são homens, independentes, donos de suas vidas e não sou eu quem vai dar palpite, mas que não gosto da idéia não gosto não. Preferia que se casassem.
O Luis, que sabe o que penso, chegou de mansinho e me disse: calma, mãe, vai acabar sendo tudo do jeito que você gosta, é que ela precisa se acostumar com a mudança. No fundo ele tem razão, pois a Manu não vai se mudar como a Carla para a Gávea, mas para Belo Horizonte, o que fica bem mais complicado de se adaptar. É uma cidade estranha para ela, onde não conhece ninguém, e ela sabe que o Luis viaja muito, pois ele atende usinas no Recife, Ceará e Bahia. Enfim, só me resta torcer para que sejam felizes e vivam bem.
E com mais essa novidade, estou “desencalhando” todos os meus filhos. Agora só falta o Pedro resolver sua vida com a sua Juliana e eu ganhando três filhas lindas!